Cirurgia plástica em soropositivos: afinal, é possível?

Um assunto pouco discutido e que ainda um tabu é a possibilidade de realizar cirurgia plástica em soropositivos – termo utilizado para descrever a presença do vírus HIV no sangue, causador da AIDS. E a boa notícia é que sim, é possível.

Segundo informações disponibilizadas pelo portal “Lado Bi” em parceria com Uol, um estudo publicado pelo The Journal of the American Medical Association aponta que, tanto pacientes soropositivos, como soronegativos – aqueles que não têm o agente infeccioso –, apresentavam as mesmas possibilidades e complicações para realizar a cirurgia plástica, desde que os pacientes soropositivos estivessem em boas condições de saúde.

Então, onde está a diferença entre os dois pacientes?

A diferença está nos cuidados. A AIDS é uma doença que enfraquece o sistema imunológico, logo necessita de mais acompanhamento médico, antes e depois da operação.

Para realizá-la, é necessário que o paciente esteja com a carga viral controlada e comprovada com uma bateria de exames, para evitar complicações pós-operatórias diversas. O bom controle do HIV e uma boa condição de saúde do paciente soropositivo são fundamentais para que ele possa realizar uma cirurgia plástica, sendo sempre necessária a liberação pré-operatória do médico infectologista que acompanha o paciente.

Cuidando da lipodistrofia e lipoatrofia

A cirurgia plástica é importante em casos de lipodistrofia e lipoatrofia – distúrbios que afetam o peso e o contorno corporal em pessoas soropositivas, fazendo com que certas partes do corpo acumulem ou esvaziem gordura. Essas condições são mais comuns em indivíduos soropositivos devido ao fato de serem complicações relativamente frequentes do coquetel de medicamentos utilizados para controlar o HIV.

Na lipodistrofia o aumento de peso pode ocorrer no abdome, nas mamas ou no pescoço, embora também possa afetar a face, glúteos, braços e pernas.

Já a lipoatrofia é um distúrbio que acontece devido à perda de gordura subcutânea, podendo afetar a face, glúteos, braços, pernas e ainda outras partes do corpo.

Tais distúrbios podem afetar profundamente a vida social e afetiva de um paciente soropositivo, logo, a cirurgia plástica pode auxiliá-lo na autoestima e impulsioná-lo a continuar o tratamento da doença.

Diminuindo preconceitos

Se antes na década de 80, em sua descoberta, a AIDS representava uma sentença de morte, hoje o quadro é diferente. Há formas de controlar a doença com medicações e tratamentos específicos, seja na rede pública ou particular, fazendo com que o paciente leve uma vida mais normal e consiga realizar cirurgias plásticas.

Atualmente, os médicos têm um conhecimento mais amplo sobre a doença, auxiliando melhor os pacientes para controlá-la e os cirurgiões plásticos, por sua vez, também adquiririam mais conhecimento sobre como lidar com pacientes soropositivos no pré e pós-operatório.

O que pode ocorrer, de repente, é de um profissional não ter a devida experiência para realizar cirurgia plástica em soropositivo, neste caso, cabe ao cirurgião plástico ter a ética em dizer a verdade, sem recriminar o paciente, e encaminhá-lo a um cirurgião especialista na área.

Alguns procedimentos cirúrgicos, como a correção de lipoatrofia facial, podem ser realizados pelo SUS em hospitais habilitados.

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Fontes:
LadoBi/ Terra / Dr. Marcus Hubaide

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